Músicos do Rio de Janeiro e o mercado de trabalho formalizado na década de 1970
DOI:
https://doi.org/10.22409/pragmatizes.v16i30.68584Palavras-chave:
música, trabalho, anos 1970, sindicato, Rio de JaneiroResumo
O texto apresenta as primeiras incursões do projeto de pesquisa “O mercado formalizado de trabalho musical no Rio de Janeiro dos anos 1970” cujo objetivo é mapear músicos, repertórios e equipamentos culturais a partir da análise de contratos de trabalho e outros documentos pertencentes ao Fundo Documental do Sindicato dos Músicos do Estado do Rio de Janeiro. Neste estágio inicial, buscamos compreender o funcionamento do mercado de trabalho musical na cidade durante a década de 1970, traçando o perfil dos músicos que se filiaram ao sindicato no período, bem como os locais declarados de exercício profissional. A principal fonte primária deste levantamento são as Propostas de Admissão ao Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado da Guanabara, denominação vigente até meados de 1975, quando a entidade passou a se chamar Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado do Rio de Janeiro. Esses formulários registram informações como nome, filiação, data de nascimento, instrumento musical e local de atuação profissional declarado. A análise preliminar desses documentos revela a predominância de músicos do sexo masculino entre os filiados, a maioria sem vínculo empregatício formal e com atuação concentrada em espaços de execução de música ao vivo e em orquestras. Em um mercado aparentemente aquecido, com diversas oportunidades na capital carioca, observa-se que a década de 1970 foi marcada por um aumento expressivo nas filiações ao sindicato, que exercia um papel central na regulamentação da organização e da remuneração do trabalho musical.
Downloads
Referências
1° ENCONTRO Nacional de Músicos será em Novembro. Jornal Luta Democrática, Rio de Janeiro, 19 e 20 out. 1980, p.12.
BRASIL. Lei nº 3.857, de 22 de dezembro de 1960. Cria a Ordem dos Músicos do Brasil e Dispõe sobre a Regulamentação do Exercício da Profissão de Músico e dá outras Providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1960]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l3857.htm. Acesso em: 06 mai. 2026.
DIAS, Márcia Tosta. Os donos da voz: indústria fonográfica e mundialização da cultura. São Paulo: Boitempo, 2000.
ESTEVES, Eulícia. Acordes e Acordos: a história do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro 1907-1941. Rio de Janeiro: Multiletra, 1996.
FEDERAÇÃO DOS MÚSICOS. Jornal Luta Democrática, Rio de Janeiro, 1 abr. 1980, p.2.
HUNGRIA, Julio. Na música popular o êxodo de talentos quase interrompeu o processo. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, número 229, 1° jan.1970, p.8.
LEGALIZEM-SE. Jornal Luta Democrática, Rio de Janeiro, 25 jul. 1971, p.4.
MEYER, Anne Christina Duque Estrada. Entidades de classe dos músicos no Rio de Janeiro (1784-1941) uma historiografia analítica: Irmandade de Santa Cecília (1784-1824), Sociedade Beneficência Musical (1833-1896) e Centro Musical do Rio de Janeiro (1907-1941). 861 f. Tese (Doutorado em Música). Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2023.
MORELLI, Rita C.L. Indústria Fonográfica: um estudo antropológico. Editora Unicamp 2° edição, Campinas, 1991.
MÚSICOS. Jornal Luta Democrática, Rio de Janeiro, 28 abr. 1978, p.2.
MÚSICOS. Jornal Luta Democrática, Rio de Janeiro, 2 e 3 ago. 1970, p.7.
ORTIZ, Renato. A moderna tradição brasileira. São Paulo: Brasiliense, 1999.
REQUIÃO, Luciana. O processo de regulamentação e luta da classe musical no Brasil: do Centro Musical do Rio de Janeiro ao Syndicato de Músicos Profissionaes do Rio de Janeiro (1907-1960). Políticas Culturais em Revista, Salvador, v. 17, n. 2, p. 26-50, jul./dez. 2024. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/pculturais/article/view/58599. Acesso em: 06 mai. 2026.
REQUIÃO, Luciana. Mundo do trabalho e música no capitalismo tardio: entre o reinventar-se e o sair da caixa. Opus, 26(2), p.01-25, 2020a. Disponível em: https://www.anppom.com.br/revista/index.php/opus/article/view/opus2020b2603. Acesso em: 06 mai. 2026.
REQUIÃO, Luciana. Mulheres musicistas e suas narrativas sobre o trabalho: um retrato do trabalho no Rio de Janeiro na virada do século XX ao XXI. Revista Eco-Pós, 23(1), p. 239-265, 2020. Disponível em: https://revistaecopos.eco.ufrj.br/eco_pos/article/view/27436. Acesso em: 06 mai. 2026.
REQUIÃO, Luciana. Trabalho, música e gênero: depoimentos de mulheres musicistas acerca de sua vida laboral. Um retrato do trabalho no Rio de Janeiro dos anos 1980 ao início do século XXI. Rio de Janeiro: Ed. do Autor, 2019.
REQUIÃO, Luciana. “Eis aí a Lapa...”: processos e relações de trabalho do músico nas casas de shows da Lapa. São Paulo: Annablume, 2010.
REQUIÃO, Luciana; COSTA, Rodrigo Heringer. “O mercado define isso”: estrutura e adaptação na dinâmica do trabalho de músicos brasileiros na transição do século XX ao XXI. Revista El Oído Pensante, 11.1, abril-setembro, p.132-166, 2023. Disponível em: https://revistascientificas.filo.uba.ar/index.php/oidopensante/article/view/10477. Acesso em: 06 mai. 2026.
SCHOTT, Ricardo. Terra Trio [uma família musical com os pés na terra]. Rio de Janeiro: Sonora Editora, 2020.
SEGL, Marcos Júlio. Pelo telefone: polêmicas a respeito do primeiro samba gravado. VEREDAS - Revista Interdisciplinar de Humanidades, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 22-51, 2017. Disponível em: https://periodicos.unisa.br/index.php/veredas/article/view/24. Acesso em: 16 fev. 2024.
SILVA, Rafael de Oliveira. A atividade laboral dos músicos de cinema entre os anos de 1896 e 1929: um estudo a partir das atas do Centro Musical do Rio de Janeiro e seus associados. 138 f. Dissertação (Mestrado em Música). Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2023.
SIQUEIRA, Baptista. Do Conservatório à Escola de Música – Ensaio histórico. Rio de Janeiro: UFRJ, 1972.
SOUZA, Tárik de. História dos Festivais: Música, Cultura e Sociedade. Editora 34, 2003.
TEIXEIRA, Heloísa. Rebeldes e Marginais: cultura nos anos de chumbo, 1960-1970. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2024.
TINHORÃO, José Ramos. Música popular: do gramofone ao rádio e tv. São Paulo: Editora 34, 2014.
TRAVASSOS, Elizabeth. Modernismo e música brasileira. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.
VICENTE, Eduardo. Música e disco no Brasil: a trajetória da indústria nas décadas de 80 e 90. Tese (Doutorado em Comunicação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.
ZAN, José Roberto. Música popular brasileira, indústria cultural e identidade. EccoS – Revista Científica, [S. l.], v. 3, n. 1, p. 105–122, 2008. Disponível em: https://uninove.emnuvens.com.br/eccos/article/view/249. Acesso em: 07 mai. 2026.
Publicado
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License. Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de propriedade, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- A revista se reserva o direito de efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical.
- As provas finais não serão submetidas aos autores.
- As opiniçoes emitidas pelos autores são de sua exclusiva responsabilidade.
