Arte e sociedade: o sistema de artes e a Escola de Belas Artes de Pelotas- RS- Brasil (1949-1973)

Francisca Ferreira Michelon, Ursula Rosa da Silva, Katia Helena Rodrigues Dias

Resumo


O presente trabalho pretende analisar as relações de interdependência entre a Escola de Belas Artes de Pelotas (EBA) e um sistema de artes que começa a se esboçar nesta cidade a partir meados dos anos 1940. A observação ampara-se na constatação de que os pressupostos para o surgimento desta Escola estavam dados naquela sociedade pelo conceito de arte, então vigente, cuja expressão era o figurativismo das primeiras décadas do século XX. O instrumento conceitual para verifi car a observação é o habitus de Bourdieu (1996), aqui entendido como aquilo que resulta da mediação entre os condicionamentos sociais e a subjetividade dos membros dessa sociedade, que se define na posição de um indivíduo dentro da sociedade e as escolhas que esse faz em todas as áreas. Para tanto, utiliza-se como elemento defi nidor do campo de observação, a recepção da sociedade local ao artista Leopoldo Gotuzzo no período em que a Escola foi fundada e atuou. As fontes primárias que permitem essa pesquisa encontram-se, principalmente, na Coleção Escola de Belas Artes de Pelotas, pertencente à Fototeca Memória da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), salvaguardada pelo Museu de Artes Leopoldo Gotuzzo (MALG), que se constitui de documentos escritos, fotografi as e obras de arte produzidas pelos artistas, professores e alunos que fi zeram parte da escola e na coleção Marina de Moraes Pires, também pertencente a mesmo Fototeca e constituída por conjunto de documentos semelhantes à anterior. As fontes secundárias são os trabalhos de Diniz (1996), Silva e Loreto (1996), Tavares (2002) e Magalhães (2008). A análise de�se conjunto indica a existência e a consolidação de um sistema de artes na cidade de Pelotas, além de evidenciar ações individuais e sociais implícitas nesse contexto, das quais se destaca a relação duradoura entre Marina de Moraes Pires, fundadora e única diretora da EBA em toda a existência da Escola, e o artista Leopoldo Gotuzzo. O estudo exemplifi ca certa relação entre arte e sociedade, própria do início da segunda metade do século XX que parece ter sido compartilhada no sul do Rio Grande do Sul como base de surgimento de muitas escolas e conservatórios.


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