Próximas edições: dossiês temáticos

A Comissão Editorial informa ao público e aos demais interessados que as próximas edições da Revista contarão com dois dossiês temáticos:

  • Fascismos e novas direitas (N. 33, jul.-dez. 2020. Recepção dos textos até 20 de fevereiro)
Organizadoras:Bárbara Aragon (PPGH/UFF) e Milene de Figueiredo (PPGH/PUC-RS)

Nas fendas do frágil solo da democracia liberal, têm crescido e proliferado uma experiência histórica que outrora se pensou erradicada: o fascismo; as alas mais conservadoras da direita se somou a ele e têm ressurgido com força no século XXI. Dessas fendas, imbuídos de discursos salvacionistas, abriu-se espaço para o autoritarismo, o conservadorismo, imposições e discussões moralistas cristãs, discursos racistas, teorias da conspiração relacionadas ao comunismo, aumento da repressão policial e, no caso brasileiro e em alguns países da América Latina, pedidos e consagração de golpes militares.

Assim, entre outras preocupantes questões, destacam-se algumas: Seria o fascismo um fenômeno restrito ao início do século XX, como tradicionalmente se pensou? O que estamos a ver, nestes tempos, pode ser interpretado como uma reprodução de experiências pretéritas ou é algo relativamente novo? Quais são suas principais características?

Não esquecendo da heterogeneidade dos partidos de direita e de suas expressões - marcados por uma série de particularidades históricas e conjunturais -, somou-se às novidades que o espaço midiático, através das novas mídias sociais, impuseram. Como arena de conflitos de distintas dimensões, podemos apontar como essas configurações têm estado relacionadas às “novas direitas”, cujo alguns segmentos flertam abertamente com o fascismo, o autoritarismo e o racismo. Contudo, apesar desses valores estarem relacionados, seria demasiado simplista dizer que a história se repete - e sempre da mesma forma e com os mesmos elementos. Em distintas conjunturas, há sempre a consolidação de novas estratégias e lideranças. Em diferentes contextos, alguns aspectos históricos são rescatados, enquanto outros são suprimidos ou ressignificados.

Considerando o papel das historiadoras e historiadores, a presente proposta de dossiê busca refletir, conceituar e problematizar a questão do fascismo e das novas direitas, com o objetivo de reunir e publicizar as pesquisas que discutam tais temáticas, identificando suas particularidades, suas rupturas, suas continuidades, etc. Visando uma análise mais completa e identificando a importância de conteúdo comparativo, serão aceitos trabalhos relacionados ao fenômeno do fascismo que detém-se ao período do século XX, assim como pesquisas relacionadas a atual conjuntura inserida no processo de globalização capitalista neoliberal e crise econômica global.

  • Mundos do Trabalho (N. 34, jan.-jun. 2021. Recepção dos textos entre junho e julho de 2020)
Organizadoras: Clarisse Pereira (PPGH/UFF) e Heliene Nagasava (CPDOC/FGV)

O campo de pesquisa dos Mundos do Trabalho sofreu, nos últimos anos, uma renovação. As mudanças sociais que desde pelo menos a última década do século XX afetam as relações de trabalho impactaram as pesquisas sobre esta temática e fez surgir novas discussões historiográficas. As discrepâncias salariais entre homens e mulheres, brancos e negros, o assédio no ambiente de trabalho, as alterações na legislação trabalhista e a perda de direitos, o processo de superexploração e o trabalho análogo ao de escravo, assim como o relacionamento institucional com órgãos internacionais, como a Organização Internacional do Trabalho, são evidências da relevância do tema e da necessidade de aprofundamento de seus estudos.

Se inicialmente a História Social do Trabalho estava centrada na compreensão da organização sindical, partidos políticos e relações entre os trabalhadores e os empregadores (especialmente nos trabalhadores homens, urbanos e fabris), hoje, ela ampliou o escopo das suas temáticas e temporalidades. O campo de estudo passou a se preocupar em entender a experiência dos trabalhadores na sua multiplicidade, considerando marcadores como gênero, etnicidade, raça, nacionalidade e regionalidade, geração, pertencimento religioso e orientação sexual. Neste sentido, as experiências dos trabalhadores são levadas em consideração pelos estudos e são conectadas a outros processos históricos. Questionar como o gênero afeta o exercício do trabalho ou como a regionalidade marca divisões e acesso a oportunidades, por exemplo, são caminhos fundamentais para a produção de uma historiografia que dê conta da diversidade dos Mundos do Trabalho. As novas pesquisas mostram que, para além de diferentes fontes, é essencial fazer diferentes perguntas aos documentos. Para olhar para pessoas e relações que não foram evidenciadas pela historiografia tradicional é preciso questionar e quebrar o olhar naturalizado. É necessário olhar para as diferentes estratégias de luta e sobrevivência construídas pelos trabalhadores e trabalhadoras.

Diante da pluralidade do campo, o dossiê Mundos do Trabalho abre chamada para trabalhos que busquem discutir as diferentes experiências históricas do trabalho, trabalhadores e seus marcadores sociais, as formas de produção, seus espaços de sociabilidade e cultura, e sua organização de classe e participação política, assim como o seu relacionamento com as instituições, em períodos democráticos ou ditatoriais.

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Em breve publicaremos o cronograma para envio dos textos, como também as orientações gerais. Reforçamos que os trabalhos devem seguir as Diretrizes para os Autores, cf. informado em momento anterior.

Se já está a rascunhar um texto, deixe-o preparado!

Recordamos que o fluxo contínuo não tem prazo determinado para submissão.

Atenciosamente,

Comissão Editorial