MÍSTICA DA SOBREVIVÊNCIA E DIREITOS HUMANOS EM CAROLINA DE JESUS
fome, moradia e expressão na construção de uma epistemologia de fronteira
DOI:
https://doi.org/10.22409/69bjhs17Resumo
Este artigo analisa a mística da sobrevivência na obra de Carolina Maria de Jesus como uma forma de denúncia e resistência à violação de direitos humanos a partir da articulação entre três exemplos: a fome, a moradia e a expressão. A análise fundamenta-se no conceito de epistemologia de fronteira, que reivindica a legitimidade dos conhecimentos produzidos nas periferias colonizadas. Carolina, mulher preta e favelada, elabora uma potente forma de conhecimento que emerge de sua experiência direta com a fome, precariedade habitacional e as tentativas de silenciamento. Sua escrita revela um "sentipensar" que integra sentimento e pensamento, estabelecendo uma ponte entre o sagrado e o profano no cotidiano de sua luta pela sobrevivência. De seu modo, Carolina questiona violações sistemáticas de direitos humanos, ao mesmo tempo que critica práticas de inclusão superficial que perpetuam o silenciamento dos subalternizados. Conclui-se que a obra de Carolina representa um marco que supera a razão literária dominante, constituindo-se como uma epistemologia própria que emerge das margens para reivindicar o reconhecimento pleno da dignidade humana e o direito à existência em sua diversidade.
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