A LEI DE ANISTIA E O “PARDONOUBLIER” INSTITUCIONAL

os usos e abusos da memória na história política brasileira de 1964 a 1979

Auteurs

DOI :

https://doi.org/10.22409/ddg3xd19

Résumé

O presente artigo tem como objetivo investigar o significado e os impactos da Lei de Anistia (lei nº 6.683/1979) tanto no plano jurídico quanto no plano simbólico-narrativo, no Brasil, amparados na proposição ricoeuriana da anistia enquanto um abuso de memória. Para tanto, fez-se necessário um levantamento bibliográfico-documental capaz de remontar o cenário político-jurídico do Brasil entre os anos de 1964 a 1979 para compreensão do contexto em que se desdobrou tal medida. Para além da contextualização histórica do período em questão - que constitui um de nossos objetivos específicos-, também comparece em nosso escopo a análise a respeito dos reflexos desta política de esquecimento ainda presentes no Brasil contemporâneo e os seus múltiplos enfrentamentos, organizados tanto por órgãos oficiais quanto por segmentos da sociedade civil. Para fazer evidência de nosso pensamento, nos debruçamos sobre a ADPF nº 153 intentada pelo Conselho Federal da OAB em 2008, aqui lida como uma das manifestações mais relevantes na busca pelo direito à Verdade e à Memória. Outrossim, é possível ainda afirmar que o fio condutor de nossa narrativa se ampara no método historiográfico, assim entendido aquele que viabiliza ao pesquisador não somente narrar e contextualizar, mas também interpretar os fatos, evidenciando suas causas, consequências e a relação entre os eventos. Por fim, os resultados que colhemos apontam para o fato de que a anistia, longe de representar um fechamento de ciclo histórico, permanece como uma ferida aberta no tecido democrático brasileiro, tensionando os limites entre justiça, esquecimento e memória.

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Biographies des auteurs

  • Stéphanie Riccio Simões, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)

    Graduação em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2013). Advogada, especialista em Direito Constitucional pela Faculdade Damásio (2018), Mestra em Memória, Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2018) quando desenvolveu atividades de pesquisa relacionadas a gênero, direitos fundamentais e cidadania feminina sob a perspectiva dos direitos sexuais e reprodutivos. Doutoranda em Memória, Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2024-2027) onde desenvolve estudos sobre memória social e os novos contornos da precarização do trabalho do docente do ensino superior privado. É membro Grupo de Pesquisa ''Museu Pedagógico: História, Trabalho e Educação'' (GEPHTE). 

  • Fábio Mansano de Mello, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)

    Possui Graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista - UNESP (2000), Mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina - UEL (2003) e Doutorado em Memória - UESB (2019). Professor efetivo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Docente do Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade (PPGMLS-UESB). Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Teoria Sociológica e Sociologia do Trabalho. Coordenou os projetos de extensão universitária "A dimensão política do educador popular" e "Faces da mercantilização do ensino superior". Coordenou os projetos de pesquisa "Educação e Trabalho no sistema prisional", "Educação como serviço: a expansão do ensino superior privado" e "Memórias da resistência universitária: uma análise da Revista Universidade e Sociedade", na UESB - Campus de Jequié-Ba. É membro do Grupo de Pesquisa "Museu Pedagógico: História, Trabalho e Educação". Atualmente desenvolve estudos sobre a memória social e a mercantilização do ensino superior no Brasil.

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Publiée

2026-07-29

Comment citer

A LEI DE ANISTIA E O “PARDONOUBLIER” INSTITUCIONAL: os usos e abusos da memória na história política brasileira de 1964 a 1979. Confluências | Revista Interdisciplinar de Sociologia e Direito, [S. l.], v. 27, n. 3, p. 144–166, 2026. DOI: 10.22409/ddg3xd19. Disponível em: https://periodicos.uff.br/confluencias/article/view/64984. Acesso em: 13 août. 2026.