O Triângulo Irã-Israel-Azerbaijão: Implicações para a Segurança Regional

Maya Ehrmann, Josef Kraus, Emil Souleimanov

Resumo


As pretensões nucleares do Irã e as tentativas de Israel de deter um Irã nuclear fazem parte da “guerra secreta” entre Irã e Israel. De igual modo, agentes governamentais do Azerbaijão especulam que o Hezbollah e até mesmo o Irã podem ser responsáveis por terem recentemente planejado um ataque contra um político israelense e membros da comunidade judaica no Azerbaijão. O desmantelamento dos planos e os temores que ocasionaram em relação a possíveis ataques no futuro apoiados pelo Irã têm levado a uma escalada na tensão entre o Azerbaijão e o Irã e a especulações mais amplas de que o Azerbaijão pode ter se tornar um campo de batalha para a guerra secreta entre o Irã e Israel. Esse artigo avalia os aspectos políticos e de segurança da relação triangular entre Israel, Irã e Azerbaijão, levando em conta o contexto da crescente capacidade nuclear do Irã. O artigo trata dos planos descobertos no Azerbaijão e introduz uma das principais fontes de tensão entre o Irã e o Azerbaijão, a saber, a comunidade de azerbaijanos iranianos. Os temores do Irã a respeito das demandas irredentistas e a influência turca sobre essa comunidade tem incitado a discriminação contra esse grupo como nos casos da Crise da Charge e o incidente do Lago Urma. Ademais, o artigo abordará o pano de fundo histórico e os eventos recentes na relação destes países. Enquanto as relações entre o Irã e o Azerbaijão foram historicamente cordiais, elas estão se tornando mais distantes por causa do apoio do Irã à Armênia no conflito Nagorno-Karabakh, e sua aliança com a Rússia no caso do status do Mar Cáspio, e pela tentativa de influenciar a orientação política e religiosa no Azerbaijão e por causa de recentes acontecimentos como a cooperação do Azerbaijão com os Estados Unidos e Israel. De forma semelhante, a relação entre o Irã e Israel de mornas durante o tempo do Xá se azedaram após a Revolução Iraniana, principalmente por causa da crença por parte de oficiais israelenses de que Irã financiou grupos terroristas hostis a Israel, do temor quanto à crescente capacidade nuclear do Irã e retórica anti-sionista de Ahmadinejad em 2007 que levou Israel a pedir a expulsão do Irã das Nações Unidas. À luz desses fatores, oficiais Israelenses passaram a denunciar o programa nuclear do Irã, uma iniciativa que criou especulações de que Israel estaria planejando um ataque contra instalações nucleares do Irã. Alternativamente, as relações entre Israel e Azerbaijão tem se mantido mornas desde a década de 1990 quando o Azerbaijão pediu o auxílio de Israel na reconstrução de seu exército após o conflito de Nagorno Karabakh. O Azerbaijão e Israel tem cooperado cada vez mais nas áreas econômicas e de segurança, um fator que tem alarmado autoridades iranianas que teme possíveis ataques de Israel contra instalações nucleares iranianas. Possíveis ataques israelenses são debatidos intensamente e os Estados Unidos têm adotado uma postura ambígua. Um ataque dessa natureza poderia resultar em violenta retaliação iraniana, seja na forma de um ataque militar frontal contra Israel ou ataques contra alvos israelenses (e possivelmente azerbaijanos e norte-americanos) em todo o mundo. A crescente cooperação militar do Azerbaijão com Israel e o Ocidente, sua localização geográfica estratégica e existência de uma minoria separatista azerbaijana no Irã sugerem que se houvesse uma escalada da guerra secreta, o Azerbaijão de fato pode se envolver ou se tornar uma extensão do confronto entre Israel e Irã.

Palavras-chave


nuclear; Israel; Iran; Azerbaijão, ataque

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