A pipa como um fé(i)tiche: passando ao largo de dicotomias

Maria de Fátima Aranha de Queiroz e Melo

Resumo


Operamos com o conceito de fé(i)tiche, proposto por Latour, para entender o poder de influência e aglutinação de um brinquedo milenar  na relação com os humanos que o têm como um objeto de alta significação em suas biografias. Neste artigo, a palavra fetiche foi problematizada para assumir uma versão composta que se traduz, ao mesmo tempo, como fato e feitiço, objeto feito e objeto encantado, passando ao largo das dicotomias entre o que é fabricação e o que é realidade. Na busca por restaurar a integração dos todos que foram cindidos pelo pensamento moderno, opta-se por estudar os fenômenos como efeitos de cadeias cujos mediadores são investigados tendo o mesmo valor enquanto operadores de efeitos.  Foram privilegiadas as narrativas de pipeiros coletadas em entrevistas, assim como contribuições encontradas na literatura, realçando o poder de encantamento do papagaio de papel como objeto sagrado que protagoniza eventos e mobiliza afetos e ações.

Palavras-chave


fé(i)tiche, brinquedo, pipa.

Texto completo:

PDF

Referências


ALVES, M. D. G. Amigos para sempre. Belo Horizonte: Ed. Lê, 1992.

ALVES, R. A pipa e a flor. São Paulo: Loyola, 1986.

ARIÈS, P. A história social da criança e da família. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1981.

AUGÉ, M. O fetiche e seu objeto: abordagem etnológica. In: AUGÉ, M. et al. (Org.) O objeto em psicanálise: o fetiche, o corpo, a criança, a ciência. Campinas: Papirus, 1989. p. 42-60.

BENJAMIN, W. Reflexões: a criança, o brinquedo, a educação. São Paulo: Summus, 1984.

BROUGÈRE, G. Brinquedo e cultura. São Paulo: Cortez, 2000.

DIAFÉRIA, L. O empinador de estrela. São Paulo: Moderna, 1984.

ELIADE, M. Mitos, sonhos e mistérios. Lisboa: Ed. 70. 1957.

ELIADE, M. Mefistófeles e o andrógino. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

EQUIPE SILVIO VOCE. Empresa de promoções e eventos, que realiza atividades variadas em todo o Brasil, e ficou muito conhecida por suas atividades com PIPAS e PAPAGAIOS. Disponível em: http://www.pipas.com.br/. Acesso em: 12 jun. 2013.

FATO. In: FERREIRA, A.B. H. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p. 614.

FEITIÇO. In: FERREIRA, A.B. H. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p. 619.

FETICHE. In: FERREIRA, A.B. H. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p. 623.

KEN YAMAZATO (Site). Engenheiro mecânico, é apaixonado por pipas/papagaios desde criança, e por toda a vida tem se dedicado ao estudo e à arte de projetar e criar modelos das mais variadas cores, tamanhos e formatos. Disponível em: http://www.kenyamazato.com.br/. Acesso em: 22 jun. 2013.

KENT, S. The creative book of kites. New York: Smithmark Books, 1997.

LATOUR, B. As visões do Espírito: uma introdução a antropologia das ciências e das técnicas. Culture Technique, n. 14 p. 5-29, 1985. Traduzido para Publicações didáticas, mar. 1990, por J. M. Carvalho de Mello e C. J. Saldanha Machado.

LATOUR, B. A esperança de Pandora. Bauru, SP: EDUSC, 2001.

LATOUR, B. Reflexão sobre o culto moderno dos deuses fé(i)tiches. Bauru, SP: EDUSC, 2002a.

LATOUR, B. Another take on the science and religion debate. 2002b. Disponível em: http://www.bruno-latour.fr/node/167. Acesso em: 23 maio 2013.

MARX, K. O Capital. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

MELLO, T. Arte e ciência de empinar papagaio. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983.

PIPA. In: DICIONÁRIO da Enciclopédia Mirador. Antônio Houaiss, ed. São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil, 1979. p. 1272.

PORTAL das pipas. (Site). Disponível em: http://www.portaldaspipas.com.br/>. Acesso em: 21 jun. 2013.

RIOS, J. A. Pipas, papagaios e pandorgas. Carta Mensal, Rio de Janeiro, v. 49, n. 582, p. 3-27, 2003.

SEBEOK, T. A. Fetiche. Face, S. Paulo, vol. 1, n. 2, p. 11-25, 1988.

SERRES, M. Filosofia mestiça. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.

VOCE, S. Brincando com pipas múltiplas e de duplo comando. São Paulo: Global, 2002.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Creative Commons License
Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

 

Apoio:



Indexadores:



Arquivamento:



Facebook: