Memória como construção de caminhos plurais
o conhecimento a partir da escuta e da palavra
DOI:
https://doi.org/10.22409/pragmatizes.v15i29.67203Palavras-chave:
memória, patrimônio cultural e histórico, história oral, narrativas, sujeitos, histórias pluraisResumo
O artigo aponta para uma direção ético-teórica que se opõe ao que usualmente vem sendo tomado como “discurso do outro”, pressuposto apoiado na ideia de um “eu” universal. Parte da necessidade de revisitar as bases sob as quais o campo acadêmico tem produzido e eleito, com maior ou menor aprovação, determinados saberes. Discute, a partir desta perspectiva, modos de conhecer que ouçam a pluralidade de vozes existentes e reconheçam o caráter múltiplo das histórias. Por meio de abordagens sobre memória e seus debates, propõe um diálogo entre episódios e histórias, representações e narrativas que disputam quais vozes ecoam registros coletivos. O discurso hegemônico passa a ser, então, confrontado quando mais narrativas são consideradas e reconhecidas enquanto saberes. O trabalho sugere consideração sobre a produção de conhecimento que reposiciona os sujeitos, usualmente tomados como objetos de pesquisa, como voz ativa.
Downloads
Referências
ADICHIE, Chimamanda N. O perigo de uma história única. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
ARAUJO, Maria Paula Nascimento; SANTOS, Myrian Sepúlveda. História, memória e esquecimento - implicações políticas. Revista Crítica de Ciências Sociais, 79, 2007, p. 95-111. Disponível em: https://www.ces.uc.pt/publicacoes/rccs/artigos/79/RCCS79-095-111-MPNascimento-MSepulveda.pdf. Acesso em: 19 mar. 2025.
BRASIL. Lei nº 12.528, de 18 de novembro de 2011. Cria a Comissão Nacional da Verdade no âmbito da Casa Civil da Presidência da República. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 18 nov. 2011.
CARNEIRO, Sueli. Dispositivo de racialidade: a construção do outro como não ser como fundamento do ser. Rio de Janeiro: Zahar, 2023.
DIDI-HUBERMAN, Georges. Cascas. São Paulo: Editora 34, 2017.
DIDI-HUBERMAN, Georges. A imagem sobrevivente: história da arte e tempo dos fantasmas segundo Aby Warburg. Rio de Janeiro: Contraponto, 2013.
FORTY, Adrian; KÜCHLER, Susanne (org.). The art of forgetting. Oxford; New York: Berg, 1999.
FREUD, Sigmund. [1900]. A interpretação dos sonhos. Rio de Janeiro: Imago, 2001.
GONÇALVES, José Reginaldo Santos. Ressonância, materialidade e subjetividade: as culturas como patrimônios. Horizontes Antropológicos, v. 11, n. 23, p. 15–36, jun. 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ha/a/wRHHd9BPqsbsDBzSM33NZcG/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 19 mar. 2025.
GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. (organização de Flávia Rios e Márcia Lima). Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2013.
HUYSSEN, Andreas. Passados presentes: mídia, política, amnésia; Os vazios de Berlim. In: HUYSSEN, Andreas. Seduzidos pela memória. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2004. p. 9–40; p. 89–116.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
MARBOEUF, Olivier. Les empires intérieurs. Tumultes: Voix/Voies entravées, percées émancipatrices. Décoloniser les arts, n. 54, 2020.
MBEMBE, Achille. Crítica da razão negra. São Paulo: n-1 Edições, 2018.
MBEMBE, Achille. Políticas da inimizade. São Paulo: n-1 Edições, 2020.
NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História, São Paulo, n. 10, p. 7–28, dez. 1993. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/revph/article/view/12101. Acesso em: 19 mar. 2025.
POLLAK, Michael. Memória e identidade social. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 5, n. 10, p. 200–212, 1992. Disponível em: https://periodicos.fgv.br/reh/article/view/1941. Acesso em: 19 mar. 2025.
PROUST, Marcel. No caminho de Swann: Em busca do tempo perdido. 3. ed. Tradução de Mário Quintana; revisão de Olgária Chaim Féres Matos. São Paulo: Globo, 2006.
RIOS, Fabio Daniel. Memória coletiva e lembranças individuais a partir das perspectivas de Maurice Halbwachs, Michael Pollak e Beatriz Sarlo. Revista Intratextos, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 01–22, 2013. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/intratextos/article/view/7102/9367. Acesso em: 2 ago. 2019.
THOMPSON, Paul. Histórias de vida como patrimônio da humanidade. In: História falada: memória, rede e mudança social. São Paulo: SESC-SP; Museu da Pessoa; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006.
VERGÈS, Françoise. Descolonizar o museu: programa de desordem absoluta. São Paulo: Ubu Editora, 2023.
YATES, Frances A. A arte clássica da memória. Campinas: Editora Unicamp, 2007.
Publicado
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License. Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de propriedade, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- A revista se reserva o direito de efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical.
- As provas finais não serão submetidas aos autores.
- As opiniçoes emitidas pelos autores são de sua exclusiva responsabilidade.
