Um cético contemporâneo: Michel Foucault e o problema da normatividade

Autores

  • Victor Garcia

DOI:

https://doi.org/10.22409/dkgkvx82

Resumo

Este artigo examina a crítica dirigida a Michel Foucault segundo a qual sua filosofia careceria de fundamento normativo. Partimos, em primeiro lugar, da formulação clássica dessa objeção em Jürgen Habermas, para quem a genealogia foucaultiana, ao substituir a problemática da validade pela análise dos efeitos de poder, incorreria em presentismo, relativismo e criptonormatividade. Em seguida, mostramos como Nancy Fraser retoma essa crítica ao sustentar que Foucault não explicita a base normativa de seus juízos nem oferece alternativa determinada aos paradigmas sociais que denuncia. Contra essas leituras, defendemos que a melhor maneira de compreender Foucault consiste em lê-lo como um filósofo cético. Seu ceticismo o conduz à recusa de fundar sua crítica em universais antropológicos, históricos ou morais. Assim, a força de sua análise reside menos na formulação de um dever-ser universal do que na problematização histórica das racionalidades que nos governam e dos dispositivos que produzem sujeitos, saberes e condutas.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

Publicado

2026-08-27

Edição

Secção

Artigos