Reflexões sobre três dimensões do Trabalho Doméstico Remunerado-TDR: interseccionalidades, desigualdade e afetividade
DOI:
https://doi.org/10.22409/r30ckr34Abstract
O artigo investiga o trabalho doméstico remunerado (TDR) e suas implicações sociopolíticas no Brasil. A pesquisa, de caráter bibliográfico, tem como objetivo analisar três dimensões centrais dessa ocupação: a interseccionalidade entre gênero, raça e classe; a desigualdade estrutural que caracteriza essa atividade; e a construção de subjetividades relacionadas ao TDR. Além dos aspectos econômicos e legais, o artigo também explora o papel da afetividade nas relações de trabalho, destacando como a proximidade emocional entre empregadores e empregadas pode ser utilizada para justificar práticas de exploração. Apesar de inovações jurídicas, como a Emenda Constitucional nº 73 de 2013 e a Lei Complementar nº 150 de 2015, persistem desafios nas garantias jurídicas para essa categoria. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) indicam que o setor é predominantemente feminino e negro, caracterizado por salários baixos e alta informalidade. Nesse contexto, a desigualdade se perpetua não apenas nas condições materiais, mas também na forma como relações afetivas são manipuladas para sustentar hierarquias de poder. A normalização da subordinação por meio de discursos afetivos contribui para a perpetuação da desigualdade de gênero, raça e classe. As considerações apontam para a manutenção de um trabalho caracterizado por diversos marcadores sociais.
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