O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DA HEGEMONIA DO AGRONEGÓCIO NO BRASIL: RECORRÊNCIAS HISTÓRICAS E HABITUS DE CLASSE
DOI:
https://doi.org/10.22409/tn.v20i41.52566Resumo
Reflete sobre o processo de construção da hegemonia do patronato rural e do agronegócio no Brasil nas últimas décadas. Indica que a busca de uma coesão mais ampla se respalda em vários aspectos: a elaboração de reivindicações unificadoras; o fortalecimento dos espaços de representação de interesses; a escolha de aliados confiáveis; a construção de uma imagem de si portadora de capacidades e potencialidades necessárias ao desempenho da hegemonia; o empenho na elaboração de uma retórica de legitimidade e de poder na qual todos se identifiquem; e a ofensiva contra os adversários políticos e de classe – ações e discursos que visam sobretudo à violência física e simbólica e à desqualificação de pessoas, de grupos e de movimentos sociais que questionam as posturas do patronato rural e de seus aliados e estabelecem limites à construção da hegemonia patronal rural e do agronegócio.
Palavras-chave: agronegócio; patronato rural; hegemonia.
Downloads
Referências
AZEVEDO, Fernando. As Ligas Camponesas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.
BASTOS, Élide Rugai. As Ligas Camponesas. Petrópolis: Vozes, 1984.
BENITES, Eliel; POMPEIA, Caio; BRUNO, Regina. Ruralidades, fronteiras, agronegócio no contexto sul mato-grossense. Mesa-redonda de encerramento. In: Ciências Sociais em Tempos de Crise: desafios, impactos e transformações na educação, on-line. 12 nov. 2021.
BOURDIEU, Pierre. Campo do poder, campo intelectual e habitus de classe. In: BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 1987.
BRUNO, Regina. Abag: a face “sistêmica” do poder patronal. In: BRUNO, Regina. Senhores da Guerra, Senhores da Terra: a nova face política das elites agroindustriais no Brasil. Rio de Janeiro: Forense Universitária UFRRJ, 1997. p. 36-42.
_____________. O ovo da serpente: monopólio da terra e violência na Nova República. 2002. 316 f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – UNICAMP, Campinas.
_____________. Movimento Sou Agro: marketing, habitus e estratégias de poder do agronegócio. In: ENCONTRO ANUAL DA ANPOCS, 36, 2012, Águas de Lindóia. Anais... São Paulo: ANPOCS, 2012. Disponível em: http://anpocs.com/index.php/encontros/papers/36-encontro-anual-da-anpocs/gt-2/gt16-2/8027-movimento-sou-agro-marketing-habitus-e-estrategias-de-poder-do-agronegocio?path=36-encontro-anual-da-anpocs/gt-2/gt16-2.
______________. Agricultura empresarial, povos e comunidades tradicionais: lutas simbólicas e negação de direitos. Raízes, v. 37, n. 2, 2017.
______________. Bala, Bíblia e Boi: retratos do Brasil contemporâneo. In: Seminário Pensando a Respeito, 2018, Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: CPDA/UFRRJ, 2018.
_______________. Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA): campo de disputa entre ruralistas e petistas no Congresso Nacional. Estudos Sociedade e Agricultura, Rio de Janeiro, v. 29, n. 2, p. 461-502, 2021. Disponível em: https://revistaesa.com/ojs/index.php/esa/article/view/esa29-2_09_fpa/.
_______________; SEVÁ, Janaína Tude. Representações de interesses patronais em tempo de agronegócio. In: MOREIRA, José Roberto; BRUNO, Regina (Orgs.). Dimensões rurais de política brasileiras. Rio de Janeiro: Mauad; Seropédica: Edur, 2021. p. 71-103.
_______________; SEVÁ, Janaina Tude; CARNEIRO, Olavo Brandão. Grupos de solidariedade, frentes parlamentares e pactos de unidade e ação. Em pauta o fortalecimento e a disputa pela representação patronal no campo. Relatório Final de Pesquisa. Rio de Janeiro: Redes-IICA/MDA, 2007.
CARNEIRO, Olavo Brandão. Tratoraço – o alerta do campo: um estudo sobre as ações coletivas e patronato rural no Brasil. 2008. 160 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – UFRRJ, Rio de Janeiro.
CARVALHO, Abdias Villar. Reforma Agrária: união e cisão no bloco agrário-industrial. Cadernos UnB. Brasília, 1978.
CASTILHO, Alceu Luiz. O Partido da Terra. Como os políticos conquistam o território brasileiro. São Paulo, Contexto, 2012.
CHAUI, Marilena. Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas. São Paulo: Moderna, 1982.
______________. Brasil. Mito fundador e sociedade autoritária. Coleção História do Povo Brasileiro. São Paulo: Fundação Perseu Abramo,1998.
DA ROS, César Augusto. O movimento ‘vistoria zero’ e as ações de resistência do patronato rural às políticas de assentamentos no Rio Grande do Sul entre os anos de 1999 e 2002. In: Congresso Brasileiro de Sociologia, 13., 2007, Recife. Anais... Recife: CBS, 2007.
DELGADO, Guilherme da Costa. O agronegócio: realidade e fantasia rondando o país. Santa Maria: UFSM, 2004. Disponível em: http://coral.ufsm.br/enev/docs/agronegocio.pdf.
DE OLHO NOS RURALISTAS. Live de lançamento da série De Olho no Congresso, on-line. YouTube, 10 ago. 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=W7oJH-OIuxg.
DIAP – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. Quem foi quem na Constituinte nas questões de interesse dos trabalhadores. São Paulo. Cortez: Oboré, 1988.
ELIAS, Norbert. Sociedade de corte. Investigação sobre a sociologia da realeza e da aristocracia de Corte. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
_____________. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Zahar,1994.
_____________. Os alemães. A luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.
FERNANDES, Afonso Henrique de Menezes. Trama política e acadêmica da hegemonia do agronegócio: transformações institucionais e articulações internacionais a partir do Brasil e da Argentina. Exame de qualificação – Programa de Pós-graduação em História, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2021.
FERNANDES, Florestan. A revolução burguesa no Brasil. Ensaio de interpretação sociológica. Rio de Janeiro: Nova Aguilar (Coleção Intérpretes do Brasil, volume 3), 2000.
FURTADO, Fabrina. O clima do negócio e o negócio do clima COP 26: o paraíso das Corporações. Brasil Paraguai. Fundação Rosa Luxemburgo, p. 1-17, 2021.
COSTA, Felipe Ferrari da. Ação política e representação de interesses do patronato rural gaúcho: uma análise da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (1988-2000). 2019. 212f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – UFRRJ, Rio de Janeiro.
FREITAS, Carolina Pereira. As agroestratégias de desterritorialização de povos indígenas e quilombolas. (Re)definindo marcos legais e usos territoriais. 2018. 326f. Tese (Doutorado em Geografia) – UFF, Niterói.
FONTES, Virginia. Trabalho e lutas sociais. Live Conversas Impertinentes. On-line. YouTube, 6 de novembro de 2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=8Az1K-jKiS8.
GALVÃO, Elisandra de Araújo. A política na CNA: organização, mobilizações e inserções do patronato rural no Estado. 2020. 201 f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – UFRRJ, Rio de Janeiro.
GRAMSCI, Antonio. Introduccion a la filosofia de la práxis. Barcelona: Ediciones Península, 1972.
________________. Maquiavel: a política e o Estado Moderno. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira. 1984.
GRAZIANO, Xico. O fantasma a trator. Espaço Aberto, p. A2. O Estado de São Paulo, São Paulo, julho de 2005.
HEREDIA, Beatriz; PALMEIRA, Moacir; LEITE, Sérgio Pereira. Sociedade e economia do ‘agronegócio’ no Brasil. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 25, p. 159-176, 2010.
KATO, Karina; LOPES, João Roberto. Financeirização da agricultura e mercado de terras no Brasil. Reunião aberta Ecopol/NelutasUnirio. On-line. 9 dez. 2021.Y
____________; LEITE, Sérgio Pereira. LandGrabbing – financeirização da Agricultura e Mercado de terras no Brasil: velhas e novas dimensões da questão agrária no Brasil. Anpege, v.16, n. 29, p. 458-489, 2021.
LACERDA, Elaine Vieira de. Brasil integrado: a ideologia sistêmica do agronegócio na Associação Brasileira de Agribusiness. 2009. 334 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – UFRRJ, Rio de Janeiro.
LEITE, Sergio Pereira; MEDEIROS, Leonilde Servolo de. O desmonte de políticas públicas e direitos sociais no campo brasileiro. In: Debates CEA, on-line. 29 set. 2021. Rio de Janeiro: Centro de Estudos Avançados da UFRRJ, 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1yuXJ01rICc.
LERRER, Debora Franco. Revista Agroanalysis: a trajetória de afirmação do ‘agronegócio’ e de consagração de seus agentes. Contemporânea, v.10, n.1, p. 273-304, 2020. Disponível em: http://dx.doi.org//10.4322/2316-1329.133.
LOPES, Vanessa Pereira. O processo de construção da criminalização do MST na lei de organizações criminosas: um estudo de caso sobre os processos judiciais propostos contra o MST em Santa Helena de Goiás-GO. 2017. Dissertação (Mestrado em Ciências Jurídicas e Sociais) – UFF, Niterói.
MARTINS, José de Souza. Desigualdades sociais ocultas. Valor Econômico, ano 22, n. 1094. São Paulo, 10 dez. 2021.
_____________________. O poder do atraso. Ensaios da sociologia da história lenta. São Paulo: Hucitec, 1994.
_____________________; José de Souza. A sujeição da renda da terra ao capital e o novo sentido da luta pela reforma agrária. Encontros com a Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, n.22, v. 3, p. 199-221, 1980.
MEDEIROS, Leonilde Servolo de. História dos movimentos sociais no campo. Rio de Janeiro: Fase, 1989.
___________________________. Algumas considerações sobre o conceito de classe social. 1992. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – UNICAMP, Campinas, 1992.
MENDONÇA, Sonia Regina de. O patronato rural no Brasil recente (1964/1993). Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2010.
_________________________. Estado e hegemonia do Agronegócio no Brasil. Revista História e Perspectivas, Uberlândia, v. 32/33, p. 91-132, 2005.
__________________________. O Pensa e os intelectuais orgânicos do agronegócio (1990-2013). In: Simpósio Nacional Estado e Poder, 9, 2016, Niterói. Anais... Niterói: Núcleo de Pesquisas sobre Estado e Poder no Brasil, 2016. p. 165-178.
_________________________. ‘Sistema Abag’ e a supremacia burguesa no Brasil. In: CAMPOS, Pedro; BRANDÃO, Rafael. Dimensões do empresariado brasileiro: história, organizações e ação política. Rio de Janeiro: Consequência, 2019.
___________________________. O ruralismo brasileiro na Primeira República: um debate de ideias. A Margem – Revista de Ciências Humanas, Niterói, ano I, n 1, jan. 1993.
MONTEIRO, José Marciano. A política como negócio de família. Para uma sociologia política das elites e do poder político familiar. São Paulo: LiberArts, 2017.
MORUZZI, Paulo Eduardo. Segurança alimentar: a intervenção da Associação Brasileira de Agribusiness no campo de disputa e produção ideológica. 1996. 123f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – UFRRJ, Rio de Janeiro.
NOVAES, Regina Célia Reyes. De Corpo e alma: catolicismo, classes sociais e conflitos no campo. Rio de Janeiro: Gaphia, 1997.
OIT – Organização Internacional do Trabalho. Perfil dos principais atores envolvidos no trabalho escravo rural no Brasil. Brasília: OIT, 2011.
POMPEIA, Caio. Formação política do agronegócio. 2018. 352 f. Tese (Doutorado em Antropologia Social) – UNICAMP, Campinas, 2018.
_____________. Concertação e poder: o agronegócio como fenômeno político no Brasil. Revista Brasileira de Ciências Sociais, n. 35, v. 104, p. 1-17, 2020.
_____________. A reascensão da extrema direita entre representações políticas dos sistemas alimentares. Antropolítica, n. 53, p. 115-139, 2021.
PICCIN, Marcos Botton. Senhores de terra, senhores de guerra. Sociologia histórica do patronato estancieiro do Rio Grande do Sul (1920-2019). Curitiba, Editora CRV, 2021.
RESENDE, Ricardo. Trabalho Escravo no Brasil. Aula Aberta. LEC-UFRRJ 2021.
REDE TVT. O agro não é tech, o agro não é pop e muito menos tudo. YouTube, 21 out. 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=BbYIn_VRe5M.
RAUBER, Marcelo Artur. Prato principal: terras indígenas. O início da contestação do direito territorial indígena pela Frente Parlamentar da Agropecuária (2011-2014). Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – UFRRJ, Rio de Janeiro.
RUA, Maria das Graças. A UDR e a representação de interesses dos proprietários rurais: a nova elite agrária no processo de transição política no Brasil. In: Encontro Anual da Anpocs, Caxambu. Anais... Caxambu: Anpocs, 1989.
SAUER, Sérgio; SOUZA, Marcos Rogério de; TUBINO, Nilton. O Parlamento e a criminalização dos movimentos de luta pela terra: um balanço da CPMI da Terra. Revista da Associação Brasileira de Reforma Agrária, São Paulo, v. 33, n. 2, 2006.
SEVÁ, Janaina Tude. Classes patronais rurais e conflitos sociais: um estudo sobre as ações das organizações patronais rurais frente à questão ambiental. 2008. 135f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – UFRRJ, Rio de Janeiro. Disponível em: https://tede.ufrrj.br/handle/tede/660?locale=pt_BR. Acesso em 4 de setembro de 2020.
_________________. ‘Mudar o código é a salvação da lavoura’: considerações sobre a representação política patronal e a manifestação pública dos ruralistas em defesa da reforma do Código Florestal Brasileiro. Apresentação no IFCH/Unicamp, 8 maio, 2012.
SEVÁ, Janaina Tude. A mão que afaga é a mesma que apedreja: preservando a natureza que é possível! Propriedade da terra, classes dominantes e representação política no Brasil contemporâneo – a reforma do Código Florestal Brasileiro de 1965. 2016. 194 f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – UFRRJ, Rio de Janeiro.
SEVERINO, Cláudio Francisco. Novas estratégias de organização política dos empresários: o caso da Abag. In: Encontro Anual da Anpocs, 28., 2004, Caxambu. Anais... Caxambu: Anpocs, 2004.
VIEIRA, Fernanda Maria da Costa. Sob o leito de Proscusto: sistema judicial e a criminalização da luta pela terra no Rio Grande do Sul. 2011. 290 f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – UFRRJ, Rio de Janeiro.
VIEIRA, Maria Antonieta Costa et al. Perfil dos principais atores envolvidos no trabalho escravo rural. Relatório final. Rio de Janeiro: Gptec, 2007
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2022 Revista Trabalho Necessário

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

