O “cinema-lápide” em Memória de Deus e o Diabo em Monte Santo e Cocorobó (1984): Agnaldo “Siri” Azevedo, encenação da impotência e a crise do NCL nos anos 1980
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Resumo
Este artigo investiga um filme do documentarista baiano Agnaldo "Siri" Azevedo (1931-1997) como expressão sintomática da crise do Nuevo Cine Latinoamericano (NCL) nos anos 1980. Partindo do problema historiográfico da marginalização de trajetórias regionais nas narrativas canônicas do cinema latino-americano, analisa-se como seu curta-metragem Memória de Deus e o Diabo em Monte Santo e Cocorobó (1984) encarna uma resposta estética ao desencanto daquele período. Metodologicamente, articula-se análise fílmica fundamentada em Fernão Pessoa Ramos, contextualização histórica baseada em Ignacio del Valle Dávila e estudos da memória de Michael Pollak e Pierre Nora. Demonstra-se como a circulação documentada do filme no VII Festival de Havana (1985) legitima sua inserção nas redes do NCL, em um momento no qual as bases desse projeto (como a defesa de um cinema “revolucionário”) estão em crise. A análise identifica no filme a elaboração de um "cinema-lápide" que substitui o "cinema-arma" revolucionário, materializando por meio do que se define como "encenação da impotência histórica" e "documentário de desesperança" a "lógica da derrota" do projeto utópico do NCL. Conclui-se que a obra de Siri transforma o sertão em "lugar de memória melancólica", constituindo-se não como apêndice regional, mas como sintoma estético da crise continental do projeto, demandando revisão historiográfica que inclua as margens regionais para compreensão integral do NCL.
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Referências
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