Audiodescrição de filmes: experiência, objetividade e acessibilidade cultural

Jéssica David, Felipe Hautequestt, Virginia Kastrup

Resumo


Nos últimos anos, tem-se observado uma preocupação crescente nos diversos setores da sociedade com a inclusão cultural dos deficientes visuais. São muitos os esforços voltados para o desenvolvimento de estratégias inclusivas que lhes permitam uma apropriação efetiva do espaço cultural. Entre tais iniciativas de acessibilidade, encontra-se a audiodescrição de filmes. O objetivo do artigo é propor algumas diretrizes para a audiodescrição, levando em conta peculiaridades cognitivas, bem como fatores sociais e políticos que cercam a vida de pessoas com deficiência visual. O artigo discute a experiência de assistir a um filme e analisa o problema da familiaridade com o cinema, com a narrativa de cada filme e com a própria técnica da audiodescrição. O desafio é criar condições favoráveis para a atualização de experiências cognitivas, afetivas e emocionais que o filme oferece. Visa ainda examinar o problema da objetividade e de outros parâmetros da audiodescrição, sugerindo algumas diretrizes para seu desenvolvimento no Brasil.

Palavras-chave


Audiodescrição; Deficiência visual; Acessibilidade.

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