O tempo dionisíaco da infância

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NOELI GEMELLI REALI

Resumo

Este estudo trata de olhar para as imagens do documentário Territórios do brincar (2015) de David Reeks e Renata Meireles. Dirigida pelo pensamento da Filosofia da Diferença, a conversação fílmica percorre as andanças de crianças em diferentes cantos do Brasil. O objetivo é pensar, por meio das imagens, o conceito de devir-criança inspirado na provocação nietzschiana Das três metamorfoses. A criança, sozinha ou em bando, com seu corpo errante, alegre e inquieto, vive para descobrir e criar experimentações. Ela não copia pois seguem criando seus próprios e singulares mapas. As crianças vivem nas margens: meio bicho meio gente. Nem camelo, nem leão - são a criança nietzschiana. A análise mostra que um o olhar filosófico e atento permite encontrar nas crianças a materialização do conceito de devir-criança. Ele torna-se, diante da tela, vivo e vivido no corpo e nas histórias das crianças. O estudo confirma a ideia deleuziana que os cineastas são pensadores que escrevem com imagens. As crianças, em forma de imagens e vida, nos obrigam a experimentar a sensação da potência afirmativa que dorme no corpo do adulto. São elas que nos ensinam a reencontrar a potência do devir-criança e torná-la uma experimentação transformadora alegre e possível.


 

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Dossiê - Artigos

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O tempo dionisíaco da infância. A Barca, [S. l.], v. 3, n. 2, 2026. DOI: 10.22409/cjpsbe57. Disponível em: https://periodicos.uff.br/abarca/article/view/67578. Acesso em: 26 fev. 2026.

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