Cidades, corpos medicalizados e o biocapital: o mercado da saúde

Flávia Cristina Silveira Lemos, Dolores Galindo, Renata Vilela Rodrigues, Kátia Farias Aguiar

Resumo


Este artigo tem o objetivo de colocar em interrogação as práticas de medicalização das cidades e dos corpos por meio do governo da vida, em uma sociedade neoliberal que tornou as populações capitais e os espaços das cidades lugares de empreendimento. Pretende pensar os processos de subjetivação fazendo uma crítica ao investimento das cidades e dos corpos enquanto biocapitais, assegurados por um mercado crescente, em nome da saúde e segurança. Com os estudos de Michel Foucault e algumas de suas ferramentas, efetuou-se uma história breve da medicalização das cidades e dos corpos bem como dos seus efeitos na produção de subjetividades, no contemporâneo.  


Palavras-chave


biocapital; cidades; corpos; medicalização; biopolítica

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